
O 4º álbum dos Smiths, “The Queen is Dead” é para muitos considerado a obra prima da banda que mais marcou a musica britânica dos anos 80. “The Queen is Dead” surgiu depois de “Meat is Murder”, altura em que os Smiths estavam no auge e que eram seguidos por multidões de jovens fans que idolatravam a banda, mas o que fazia desta banda tão especial, sendo uma banda que praticava uma musica dita alternativa, numa altura em que o synth-pop se encontrava no auge, eram oriundos de uma cidade onde nunca nada acontecia e gravavam numa editora independente? É dificil falar dos Smiths, mas eu gostaria de considerar em primeiro lugar a capacidade lirica de Morrissey, com suas letras melancolicas, sensiveis e depressivas (como que se de excertos do seu diario se tratasse) por um lado e por outro provocantes e ameaçadoras enfrantando varias instituições, Morrissey tinha uma mensagem (ou várias), e neste album isso está bem patente. Por outro lado há que considerar que Morrissey funcionou como porta voz de uma juventude britânica á altura cheia de problemas e sem grandes perspectivas de futuro as suas palavras funcionavam como a voz dessa juventude oprimida e tantas vezes esquecida pelo Poder e pela sociedade, por esta razão os Smiths são considerados a banda que melhor se adaptou a realidade politico-social da Grã-Bertanha dos anos 80 , uma outra razão do seu elevado sucesso em tão pouco tempo é como não podia deixar de ser… a musica! os magnificos arranjos de Andy Rourke, Mike Joyce e principalmente Johnny Marr, aquele estilo de musica rock fácil, sem solos de guitarra, simples, como que entre o rockabilly e o folk, alternativo, magnifico!
"The Queen is Dead" surgiu num contexto dificil: probelmas sociais, o desemprego, manifestações a descrença em relação ao futuro, o fim do Estado Providência, Margaret Thatcher, uma sociedade em profunda mutação. O álbum serviu como resposta ao poder politico de então: contra a Monarquia Britânica na faixa de abertura “The Queen is Dead”, em que Morrissey critica o alheamento da Familia Real em relação aos probelmas da sociedade inglesa em especial da juventude. Contra Thatcher com “Bigmouth Strikes Again” que deu polémica devido aos versos “Sweetness, Sweetness I was only joking / When I said I’d like / Smash every tooth in your head.” O álbum é constituido por letras depressivas, bem patentes nas faixas “I know It’s Over” sobre o sofrimento relacionado com o fim de uma relação, “There is Light That Never Goes Out”, sobre a solidão e a falta de prespectivas no futuro, mas Morrissey lá ia dizendo que havia uma luz que nunca se apagava, “The Boy With The Thorn in His Side” a mais pop de todo o album relata a descrença em relação aos nossos sentimentos e aos sentimentos dos outros, “Never Had No One Ever” esta ultima sobre o celibato assumido de Morrissey que tanta polémica deu. Tinha também o outro lado, o humor, a ironia e o sarcasmo ao estilo de Morrisey nas faixas “ Vicar in a Tutu”, com a Igreja como alvo, “Frankly, Mr. Shankly” sobre situações de inadaptação, ”Cemetery Gates”, como resposta a critica que tanto massacrava Morrissey e “Some Girls are bigger than others” alvo de diversas interpretações. Chegamos a conclusão que este álbum é uma mistura dos mais variados sentimentos.
Depois de “The Queen is Dead” acentuava-se a guerra pessoal entre Morrissey e Marr que levou ao fim da banda em 1987 (e também ao fim da vida dos muitos fans que não aceitando bem o fim da banda se suicidaram).
E podendo a minha opinião valer pouco fica a nota que este álbum foi considerado pela “Spin Magazine” o melhor álbum de sempre.
Actualmente aquele que bem recentemente foi considerado o 2º melhor britânico vivo segue com a sua bem sucedida carreira a solo e tem “saidas” bem ao seu estilo do genero (e passo a citar): “Prefiro comer os meus testiculos a reunir novamente os Smiths”.
The Smiths is dead…
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