
O sucesso chegou numa altura em que nada o fazia prever e em que se esperava mais um álbum na linha dos anteriores, de qualidade mas sem grande impacto comercial. Lançado em 1986 o álbum “So” foi uma autêntica surpresa para o meio musical, e por varias razões…
Peter Gabriel com este trabalho muda drasticamente a sua sonoridade, apercebe-se do que se estava a passar no meio musical e adopta uma sonoridade puramente pop (mais pop que “So” é impossivel…), usou e abusou de samples e de sintetizadores, quanto ás letras, essas manteem a inteligência caracteristica dos trabalhos de Gabriel. Co-Produzido por Daniel Lanois, “So” é constituido por 9 faixas e o destaque vai claramente para musicas como “Sledgehammer” conhecida por todos nós, uma das musicas mais representativas da decada de 80, Gabriel a cantar “I wanna be sledgehammer!” é ainda hoje recordado por todos aqueles que gostam dos anos 80 e de musica, quanto mais não fosse também pelo excelente videoclip, considerado um dos melhores videoclips de sempre em que Gabriel utiliza tecnologia inovadora até então e revolucionou completamente a ideia e o conceito de videoclip, e que ganhou o MTV Music Video Award de 1987 e é ainda hoje e passados estes anos todos o videoclip que mais vezes passou na MTV. “In Your Eyes” outra musica de destaque neste álbum, com uma cagra lirica profunda e uma agradável mistura de pop com world music. Este trabalho teve a participação especial de Kate Bush na também conhecidissima “Don´t Give Up”, um dueto numa musica intimista em que Gabriel nos fala de desespero mas também de esperança e demonstra a suas muitas qualidades de letrista que deram nas vistas desde o tempo dos Genesis. “Big Time” outro videoclip excelente e inovador na linha de “Sledgehammer”. As restantes musicas são de uma pop envolvente e energica com uma carga lirica inteligente como em “That Voice Again”, “We Do What We’re Told (Milgrams 37)” e “This is the Picture (Excellent Birds)”. De homenagem em “Mercy Street” em que Gabriel homenageia a poetisa Anne Sexton. De mensagem politica, que Gabriel já havia demonstrado com musicas como “Biko” no inicio dos anos 80 uma homenagem ao activista negro sul-africano contra o apartheid Stephen Biko, desta vez na faixa de abertura de “So”, “Red Rain” Gabriel demonstra a sua oposição face a pena de morte, uma clara colagem á Amnistia Internacional e á sua mensagem.
De referir também a “guerra” de "frontmans" dos Genesis que apesar de nunca directamente abordada, era inevitavel fazer comparações entre o trabalho a solo Phill Collins (que já mantinha uma bem sucedida carreira a solo) e de Peter Gabriel que com este trabalho Gabriel fica claramente por cima.
Um álbum diferente do que Gabriel vinha fazendo desde que deixara os Genesis, sonoridades pop, um trabalho inteligente do melhor que se fez na decada de 80, de um homem que sempre soube o que queria na musica e que sempre soube colocar o selo da qualidade nos seus trabalhos, nesse ano “So” só perdeu o Grammy para… “Graceland”.
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